A Geoquímica no Brasil e no Mundo


Grupo Brasileiro de Argilas - GBA

LogoGBA GAs argilas e os argilominerais constituem objeto de estudos multidisciplinares envolvendo cientistas, tecnologistas das mais diversas áreas do conhecimento. Dentro deste contexto, a criação do Grupo Brasileiro de Argilas, circunscrito à Sociedade Brasileira de Geoquímica, em 2008, se torna muito significativo para o País.

De um modo geral, as argilas (e seus derivados) são materiais praticamente isentos de toxicidade, não acarretando problemas sistemáticos com saúde e meio ambiente. Suas aplicações são imensas na sociedade atual, sendo constituinte importante na confecção de papel, tinta e muitos outros produtos tradicionais na área de cerâmica (e aqui abrange o lado artístico), passando igualmente pela área de farmácia. Uma lista de todos os seus usos e aplicações é certamente enorme. Os problemas potenciais com o seu uso são de ordem tecnológica, ou seja, de adequação das suas propriedades às especificações dos produtos ou usos pretendidos, o que pode exigir tratamentos secundários de custos variados.

O Prof. Milton Luis Laquitinie Formoso ressalta que a importância e significação dos estudos de argilas e argilominerais é muito grande para a comunidade científica brasileira, tendo em vista o fato de o Brasil possuir mais de 65% de seu território com coberturas de natureza laterítica e também possuir importantes jazidas originadas da alteração intempérica.

Os caolins e as bauxitas da Amazônia são originados de alteração intempérica de rochas sedimentares, em geral do Cretáceo, representando em quantidade e qualidade, reservas muitos importantes em termos mundiais (talvez as mais importantes).
Paralelamente, a Ciência do Solo utiliza o estudo da fração argila e dos argilominerais dos solos e dos perfis de alteração das rochas para a definição da gênese dos solos e suas relações com o clima e meio ambiente, em geral, de grande importância nas ciências agrárias.

Nas bacias petrolíferas, o estudo de argilominerais, da diagênese e das propriedades físicas das rochas (porosidade, permeabilidade) estão eminentemente ligadas à natureza (composição, cristalinidade, evolução, etc.) dos argilominerais, constituindo-se em um importante campo de pesquisa e aplicação tecnológica.

A geoquímica intempérica (alteração de rochas) e alteração hidrotermal (metalogênese) passam pelos estudos de argilominerais, suas paragêneses e interpretações dos processos geológicos responsáveis pela evolução mineralógica e gênese de depósitos minerais.
A indústria cerâmica é, e sempre foi, apoiada na pesquisa de matérias primas. Caolinitas, ilitas, esmectitas têm sido estudadas para os mais diversos fins. Refratários, louças, porcelanas e outros produtos especiais são dependentes de argilas adequadas.
A indústria do cimento tem buscado argilas e/ou produtos silicatados especiais para as suas plantas de produção.

As indústrias de catalisadores, polímeros, borrachas, indústrias farmacêuticas têm buscado argilominerais e argilas especiais, envolvendo pesquisa de muito alto nível científico e tecnológico para a solução de seus problemas.
A Engenharia, no que tange à Mecânica de Solos e Geotécnica, necessita sempre de mais pesquisa científica em argilas e argilominerais.

Os estudos de meio ambiente usam as propriedades adsortivas das argilas e argilominerais na descontaminação de águas e solos.

Em suma, o campo de aplicações e usos das argilas e dos argilominerais é muito amplo e, possivelmente, não tenha sido ainda completamente abordada pela comunidade científica. Visto sua a importância tecnológica e industrial, a criação do GBA torna-se, portanto, estratégico.

Grupo Brasileiro de Argilas (GBA)

A proposta de criação do Grupo Brasileiro de Argilas foi apresentada pela Secretária Geral da Association International Pour l'´Étude des Argiles (AIPEA - http://www.aipea.org), em uma reunião levada a efeito no dia 29 de outubro de 2008, em Curitiba, dentro das atividades do 44. Congresso Brasileiro de Geologia (vide súmula em arquivo anexo). Cerca de 20 pessoas estiveram presentes à reunião, referendando a sua criação. Uma lista de e-mails foi criada para agilizar a comunicação entre as pessoas interessadas (criar um ícone de adesão de e-mails?).

Notícias sobre a criação do grupo foram divulgadas pela homepage da Sociedade Brasileira de Geoquímica em 1 de Março de 2009 (http://www.sbgq.org.br/noticias/anteriores.php) e pelo Boletim da Mineropar (http://www.mineropar.pr.gov.br/modules/noticias) de Março de 2009.

O principal objetivo da criação do Grupo Brasileiro de Argilas é agregar a comunidade científica dedicada ao estudo de argilas e de argilominerais. Há diversas vantagens nesta reunião de especialistas das quais podemos mencionar: facilitar o intercâmbio técnico, propiciar a divulgação rápida de inovações acessadas ou desenvolvidas por seus participantes, facilitar a interação entre laboratórios especializados, facilitar a consulta imediata a profissionais especializados etc. Em suma, seria um ganho tanto individual como da comunidade.

O Grupo Brasileiro de Argilas está circunscrito à Sociedade Brasileira de Geoquímica, cuja sede fica na cidade do Rio de Janeiro. O presidente desta sociedade no exercício de 2006-2008, o doutor Carlos Siqueira Bandeira de Mello endossou a proposta do Professor Milton L.L. Formoso, disponibilizando a infraestrutura desta sociedade para receber os argilófilos. Esta solução é muito prática, pois, de imediato, não exige capital para operacionalizar a criação do grupo sob o ponto de vista jurídico e fiscal.

Poderão participar deste grupo todos os estudiosos e cientistas interessados no tema Argilas e Argilominerais, o qual, diga-se de passagem, abrange múltiplos aspectos na sociedade brasileira, tendo-se em vista as muitas aplicações destes produtos. No momento, não temos uma idéia precisa do tamanho desta comunidade, mas pode-se vislumbrar que ela é extensa e um exemplo disso é a quantidade de trabalhos que têm sido apresentados em congressos e conferências. Acredito que estes sejam pontas de um grande iceberg.

A reunião de especialistas torna mais fácil a sua interação na busca de soluções e de troca de experiências na solução de problemas que possam aparecer. Ou seja, acarretaria uma maior visibilidade dos especialistas e de suas pesquisas.

Notícias de Interesse Geral

Grupo Brasileiro de Argilas na AIPEA

A integração com a comunidade internacional será uma consequência das atividades do grupo. Para agregar a comunidade brasileira, foi proposto o desafio da organização da 15ª International Clay Conference no Brasil em 2013. Notícias sobre suas atividades têm sido veiculadas no AIPEA Newsletter (http://www.aipea.org/newsletter).

15 International Clay Conference (ICC)

A proposta para organizar a 15 ICC no Rio de Janeiro foi defendida pelo geólogo Reiner Neumann (CETEM) durante a Reunião Ordinária do Conselho Diretor da AIPEA em 14 de junho de 2009, em Castelanetta Marina (Itália), dentro das atividades realizadas durante a 14 ICC. A proposta foi aprovada por unanimidade e referendada na Assembléia Geral Ordinária da AIPEA em **. Desta forma, o GBA assumiu a organização do evento magno da comunidade de cientistas estudiosos de Argilas e Argilominerais. Este evento terá lugar na cidade do Rio de Janeiro, em 2013. A construção desta proposta certamente aproximará os cientistas brasileiros possibilitando uma maior comunicação.

Está à frente da proposta:
Presidente: Sylvia Maria Couto dos Anjos (PETROBRAS)
Secretario Geral: Reiner Neumann (CETEM)

Programa Erasmus Mundus da CEU

‘Master Nacional Argiles’ da Université de Poitiers é um tipo de Mestrado dentro do Programa Erasmus Mundus da Comunidade Econômica Européia, que favorece o intercâmbio de estudantes de uma gama de países associados. O programa Erasmus Mundus está sendo construído pela Comunidade Européia e visa propiciar uma maior mobilidade aos estudantes de vários países, de modo a terem acesso mais ágil a um estudo de excelência.

As universidades que se propõem a participarem do programa terão apoio financeiro da comunidade européia, o que se traduz em ganhos imediatos na sustentação de pesquisa e na manutenção de laboratórios bem equipados e atualizados.

A inclusão de universidades brasileiras no programa terá como principal ganho a agilização na mobilização de estudantes e professores brasileiros na participação de atividades e estudos junto a universidades internacionais altamente gabaritadas.

A criação do Grupo Brasileiro de Argilas sustenta esta proposta, pois mostra que o Brasil dispõe de cientistas gabaritados e organizados, laboratórios de análises com diversas especializações, tornando mais atrativa a proposta de intercâmbio internacional.